O BICENTENÁRIO DA PARÓQUIA
DE NOSSA SENHORA DAS MERCÊS DE JAICÓS – PIAUÍ (1.805 – 2.005)
I – OS ALDEAMENTOS
É provável, mas nenhum documento se tem, que os pioneiros da doutrinação cristã
dos índios do Piauí, tenham sido os piedosos franceses, junto aos Tremembés, em
meados do século XVI.
Em 1.711, em uma propriedade da família Rocha Pita, na ribeira do Canindé, os
fazendeiros mataram barbaramente quatro Jaicós, rebelando vivamente aqueles
gentios que desesperados, não mais deixaram em paz fazendas e fazendeiros,
causando-lhes imensos prejuízos.
Informado da presença do Coronel Antônio Borges Leal Marim, rico pernambucano
(de origem portuguesa) com muitas terras no Piauí, que fixara residência na
fazenda Bocaina, no ano de 1.712, Bernardo de Carvalho e Aguiar, Mestre de
Campo, lhe escreveu em 13 de junho de 1.714, pedindo-lhe que o ajudasse a não
só aldear os índios já dispersos, mas ainda que aceitasse o arraial em suas
terras.
Após uma dificílima marcha de seis meses, se conseguiu que voltassem ao Piauí
pouco mais de uma centena de Jaicós que foram aldeados nas melhores terras do
Cel. Marim, no lugar onde hoje está a cidade de Jaicós.Tomaram parte nesta
empresa além dos militares a serviço do Mestre de Campo e dos homens que acompanharam
Marim, o Capitão Mor Gonçalo Carvalho da Cunha e Antônio Carvalho da Cunha, do
Parnaguá; Manuel Gomes e o Sargento Mor Francisco Xavier de Brito; do Gurguéia.
A primeira capela de Nossa Senhora das Mercês de Jaicós, foi concluída em 05 de
março de 1.723, que passou a ser visitada regularmente pelo seu pároco.
Com o afastamento de Bernardo de Carvalho da direção militar daquela porção da
Capitania, a aldeia e Missão entraram em decadência. .
Em 1.731 se fez novo aldeamento.E, em 1.741 a Missão tinha como capelão o padre
Francisco Ribeiro da Fonseca. Na sua provisão constava também a autorização
para benzer a igreja da Missão.
Em portaria de 03 de novembro de 1.760, foi nomeado Principal da aldeia o índio
Valentim de Sousa Pinto
Em 1.762 a aldeia já era habitada por uma população de 354 índios domésticos,
contando-se 28 moradias no povoado.
Não se sabe ainda por quanto tempo o padre Francisco Ribeiro dirigiu a Missão;
sabe-se que ao chegar ao Piauí seu primeiro Governador, encontrou na direção
religiosa dos índios o frei Manuel de Santa Catarina, do convento de São
Francisco do Maranhão.
O governador Pereira Caldas, desde que assumiu o comando administrativo do
Piauí, em 1.758, muito se interessou pela missão e a respeito dela escreveu ao
Rei: ” Deixei, porém, de também erigir vila uma aldeia de índios, que se
conserva nesta Capitania por se ter reduzido aos termos de se achar quase
deserta, posto que presentemente se vai tornando a melhor do Estado, com as
reconduções que tenho mandado fazer dos seus moradores. ”
Os dirigentes solicitaram do bispo novo capelão. Foi capelão neste período o
frei Francisco Tavares, da Ordem Mercedária, em cuja ocupação serviu alguns
anos, sendo substituído pelo padre Inácio Rodrigues Ferreira, nomeado em 23 de
agosto de 1.769.
Em 1.767 o governador da Província, João Pereira Caldas ordenou a criação em
Jaicós de duas escolas, uma para os índios e outra para as índias
Em 08 de dezembro de 1.767 nasce Manuel de Sousa Martins, na fazenda Serra
Vermelha, pertencente ao município de Oeiras, depois ao de Jaicós e
posteriormente a Paulistana. Exerceu o cargo de Tesoureiro Geral da Junta da
Fazenda da Capitania do Piauí. Na carreira militar, iniciou como soldado raso,
foi nomeado alferes e conquistou os mais elevados postos, sendo promovido a
Brigadeiro.Ocupou o Comando das Armas na Capitania de 26 de outubro de 1.821 a
07 de abril de 1.822.Foi agraciado com o Hábito da Ordem de Cristo, Comendador,
Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial, Barão e Visconde da Parnaíba. Fez parte
como Vice-Presidente da Junta do Governo Provisório empossado a 26 de outubro
de 1.821.Foi o proclamador da independência no Piauí a 24 de janeiro de 1.823 e
um dos componentes do Governo Provisório eleito na mesma data. Eleito
Presidente Temporário da Província permanecendo em tal situação até 01 / 05
/1.825. Continuou à frente da administração até 30 de dezembro de 1.843.
Em 19 de maio de 1.772 foi nomeado capelão dos Jaicós o Frei João da Silva
Pinheiro, religioso carmelita que pouco se demorou ali. Em 1.778 o padre Manuel
Nunes Teixeira passou a dirigir a Missão até 1.791, sendo substituído em 1.792
pelo padre José Bernardo.
Por estes anos já não era apropriado o termo Missão para a comunidade de
Jaicós. Ali praticamente já não mais havia índio. Os habitantes insistiam
freqüentemente para que se criasse a Freguesia, pois o lugar estava bastante
desenvolvido.
Alguns anos depois, quando o Governador Pereira Caldas confiou a administração
civil da aldeia ao capitão Manuel Álvares de Araújo, este entre as instruções
recebidas, constava à recomendação de concluir a igreja. Já em agosto de 1.800
veio ordem de São Luís para que o vigário forâneo fosse ao Cajueiro marcar o
sítio em que devia erigir a capela da Missão.
D’Alencastre, ao descrever sobre a Freguesia de Jaicós disse: “A sua matriz é
uma das melhores da Província. Teve começo sua edificação em 1.833 e foi
concluída em 1839”. (Para os jaicoenses, a sua conclusão se deu em 1.837).
II – A FREGUESIA DE NOSSA SENHORA DAS MERCÊS
.
Em 1.801 a coroa portuguesa autorizou a criação da Freguesia de Jaicós. Dada a
vacância da sede episcopal maranhense, o decreto religioso foi lavrado apenas
em 12 de julho de 1.805, mas a Freguesia foi instalada em 1.806 e seu primeiro
pároco foi o padre Antônio Delfino da Cunha. Neste período, o Estado do Piauí
já contava com as seguintes Freguesias: Sob a dependência da Sé Pernambucana -
Freguesia da Mocha de Oeiras (11/02/1697); Freguesia do Surubim de Campo Maior
(1.711); Freguesia de Nossa Senhora do Monte do Carmo de Piracuruca (1.723). Sob
o comando da Sé do Maranhão - Freguesia de Nossa Senhora do Livramento de
Parnaguá (27/11/1731); Freguesias de Aroazes (1.740) e Valença (12/08/1741);
Freguesia de Santo Antônio do Gurguéia em Jerumenha (1.740); Freguesia de Nossa
Senhora do Desterro do Poti de Castelo do Piauí (27/11/1742).
Em 1.805, nasce em Jaicós Francisco de Sousa Martins, advogado que foi Deputado
Provincial pelo Estado do Piauí e governador das Províncias do Ceará e da Bahia.
Em 1.808 nasce em Jaicós Marcos Antônio de Macedo, que foi governador da
Província do Piauí, viveu em Paris, colaborou na edição da enciclopédia Delta
Larousse e veio a falecer na Alemanha.
Em 1.819 a aldeia de Jaicós já havia perdido o seu característico de antigo
núcleo indígena, pela população de costas variada que continha, mas era
governada por um diretor: Alexandre Bartolomeu de Carvalho.
Em 1.820 regressa a Jaicós, o Padre Marcos de Araújo Costa para dar início à
sua brilhante carreira de político, educador e religioso.
Em 1.825 ainda restavam alguns vestígios da velha aldeia os quais foram pouco a
pouco desaparecendo.
Neste mesmo ano de 1.825, a 16 de agosto, deu-se à instalação do Conselho de
Governo na Província de São José do Piauí que funcionou até 1.835. Marcos de
Araújo Costa foi o Vice – Presidente.
A prosperidade atingida pela Freguesia em 1.830 era tanta que uma das três
únicas escolas existentes no futuro Estado, localizava-se em seu território.
III – A VILA DE JAICÓS
O Decreto de 06 de julho de 1.832 elevou a Freguesia de Jaicós à categoria de
Vila, e criando conseqüentemente o município com território desmembrado de
Oeiras. A instalação se verificou em 21 de fevereiro de 1.834.
O PADRE MARCOS
Com a criação da Assembléia Provincial, o Padre Marcos de Araújo Costa e
Arnaldo José de Carvalho se elegeram para o biênio 1.835 – 1.837.
Através do Projeto nº 16 de 21 / 05 / 1.835, são incorporadas ao patrimônio da
vila de Jaicós as terras pertencentes aos índios de mesmo nome.
Em 1.837 o padre Marcos de Araújo Costa inaugura a igreja matriz de Nossa
Senhora das Mercês da vila de Jaicós, no estilo barroco - rococó com uma torre,
tendo no cimo um galo dos ventos (segundo a maioria dos historiadores, a
relação galo – igreja tem origem nos muitos acontecimentos importantes que
deram embasamento à fé cristã terem acontecido na calada da noite. O próprio
nascimento e a ressurreição se deram em plena madrugada, antes que o sol
nascesse e é justamente nesse período que o galo anuncia o fim das trevas e o
surgimento de um novo dia). Obra avaliada em mais de 10:000 $ 000. Construiu
ainda o padre, uma casa por 6:000 $ 000 que vendeu ao governo para servir de
casa de câmara, fórum, cadeia e quartel do destacamento policial.
A vila de Jaicós foi representada na Assembléia Provincial nos biênios 1.838 –
1.839 e 1.840 – 1.841 pelo capitão Arnaldo José de Carvalho.
Em 18 / 08 / 1.845 pelo Projeto nº 03 fica proibido o corte de carnaúbas no
terreno pertencente à Câmara Municipal de Jaicós.
A vila de Jaicós elege para a Assembléia Provincial o padre Claro Mendes de
Carvalho, no biênio 1.850 – 1.851, o mesmo seria reeleito nos biênios: 1.856 –
1.857; 1.868 – 1.869; 1.882 – 1.883; 1.884 – 1.885.
A Assembléia Provincial aprova lei proibindo o sepultamento nas igrejas a
partir de 01 de junho de 1.850.
Em 09 de agosto de 1.850, pela RP 257, foi criado o município de São Raimundo
Nonato, desmembrado dos municípios de Jaicós e Jerumenha, instalado a 04 de
março de 1.851.
Em 04 de novembro de 1.850, falece o padre Marcos de Araújo Costa, aos 72 anos
de idade.
Pela Lei Provincial nº 371 de 17 de agosto de 1.854 deu-se à criação da Comarca
de Jaicós que em 1.859, foi acrescida com a anexação do termo de Picos, antes
pertencente à Comarca de Oeiras.
O CÔNEGO CLARO
Em 1.857, Dom Manuel Joaquim da Silveira, Bispo do Maranhão, achou por bem,
dadas as grandes distâncias e dificuldades, conceder a Vara da comarca de
Jaicós ao cônego Claro Mendes de Carvalho sendo o mesmo visitador das
Freguesias de Príncipe Imperial, Valença e Marvão.De acordo com o tombo da
igreja, em 1.888, o cônego Claro ainda era vigário da paróquia.
Em 09 / 06 / 1.857 o deputado Ernesto José Batista apresentou um projeto
autorizando a construção de cemitérios em todas as freguesias.
Pelas Leis Provinciais de nº 463 e 497 de 1.859, autorizou o presidente da
Província a mandar levantar um mausoléu na igreja matriz para serem depositados
os restos mortais do Padre Marcos de Araújo Costa
No biênio 1.862 – 1.863 a vila de Jaicós tem como representante na Assembléia
Provincial o Tenente Coronel Raimundo José de Carvalho e Sousa.
Em 1.865, Antônia Alves Feitosa, Jovita, como era chamada em casa, com disfarce
de homem, se alista no exército para lutar na guerra do Paraguai. Seu disfarce
foi descoberto, mesmo assim, foi incorporada aos voluntários, como primeiro
sargento. Jovita tornou-se um importante instrumento de propaganda do governo,
incentivando alistar e lutar pela Pátria.Nesse tempo, os voluntários eram pegos
a laço e levados amarrados para a guerra. Jovita Feitosa nasceu no dia 08 de
março de 1.848 no pequeno povoado de Brejo Seco, município de Tauá, em pleno
sertão dos Inhamuns. Filha de Maximiano Bispo de Oliveira e de Maria Alves
Feitosa. Ao perder a mãe, o pai resolve mandá-la para morar em Jaicós no
Piauí.Foi em Jaicós que Jovita deu início aos estudos elementares e aprendeu
música com o seu tio Rogério.
Entre os anos de 1.870 e 1.872, o Frei José Antônio Maria Ibiapina Pereira, ou
simplesmente Frei Ibiapina, vagava pelo sertão do Piauí criando as irmandades
dos beatos e das beatas, através das Santas Missões e pregando o catolicismo de
fé, trabalho e caridade.Informações oficiosas nos dão conta de que o Coronel
Arnaldo Mendes de Carvalho o teria expulsado de Jaicós, o que teria levado o
santo peregrino do Nordeste a bater o pó das sandálias na saída da cidade e
amaldiçoar a descendência de Arnaldo até a quinta geração.
Dom Antônio Cândido de Alvarenga, bispo do Maranhão, a pedido do coronel
Raimundo José de Carvalho e Sousa, autoriza a construção de um cemitério e uma
capela distante três léguas da matriz, na localidade Vargem Grande, no ano de
1.881.
A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA
Em 23 de junho de 1.884, instala-se na vila de Jaicós uma Sociedade
Abolicionista sob o título de “Libertadora Jaicoense”. Em 13 de julho deste ano
foi declarada livre a vila de Jaicós com a entrega de 33 Cartas de Liberdade.
Em 20 de julho de 1.885, pela RP 1.137, foi criado o município de Paulistana,
instalado no dia 25 de dezembro de 1.885. Suprimida pelo Decreto - Lei 1.279 em
26 de junho de 1.931.Restaurada pelo Decreto-Lei 1.478 de 04 de setembro de
1.933.
Para o biênio 1.888 – 1.889 é eleito deputado Aristides Mendes de Carvalho.
Em 04 / 08 / 1.888, Dom Antônio, bispo diocesano do Maranhão faz reclamação ao
cônego Claro Mendes de Carvalho da falta de registros dos atos superiores e
documentos. Daquela data em diante foi autorizado à escrituração de documentos
relativos à Paróquia.
Em 09 de outubro de 1.888 pela RP 1.193, foi criado o município de Pio IX,
instalado a 08 de agosto de 1.889. Suprimida pelo Decreto–Lei 1.279 de 26 de
junho de 1.931. Restaurada pelo Decreto pela Lei 1.575 de 17 de agosto de
1.934.
IV – A CIDADE DE JAICÓS
Em 1.889 em cumprimento ao Decreto Estadual nº 03 de 30 de dezembro desse ano
concederam-se foro de cidade à sede municipal.
A cidade de Jaicós elege para deputado para o quadriênio 1.900 – 1.904 o senhor
Constâncio de Carvalho e Sousa. O mesmo seria reeleito sucessivamente até o ano
de 1.916 e após quatro anos de afastamento da Assembléia, foi eleito novamente
em 1.920, sendo reeleito sucessivamente até o ano de 1930.
De acordo com o Tombo da igreja datado de 15 de setembro de 1.907, o vigário
que aqui se encontrava era ausente da matriz e demais Paróquias.
O PADRE MARCOS FRANCISCO
Em 1.909 era vigário o padre Marcos Francisco de Carvalho. No dia 02 de agosto
de 1.909, falece em Jaicós o padre Francisco Alves Teixeira Lima, às três horas
da tarde, aos 62 anos de idade.
O PADRE MIGUEL
Aos 17 de agosto de 1.909, chega a Jaicós, às 05 horas da tarde o padre Miguel
dos Reis Mello, saudado pelo cidadão Aristides Antão de Carvalho.
De acordo com uma Circular de 31 / 07 / 1.911 o Bispo manifesta preocupação com
o crescimento do Protestantismo no Piauí.
Pela Terceira Resolução de 11 / 04 / 1.912, “fica proibido batizar meninos com
o nome de Jesus e muito mais com o de Jesus Cristo”
De 1.914 a 1.918 acontece a Primeira Guerra Mundial na Europa, que muito
flagelo trouxe para todos.
Em 1.914 / 1.915 foram iniciadas reformas, na igreja matriz, pelo então vigário
Cônego Miguel dos Reis Mello, constando da edificação de uma segunda torre e
corredores (lado esquerdo, ampliando consideravelmente as instalações e
contribuindo para melhorar a estética até hoje mantida).
Joseph Zimmermann é nomeado coadjutor de Miguel a 14 / 02 / 1.915.
Na construção da segunda torre da igreja matriz, trabalhou como mestre de obra
o senhor José Francisco Ribeiro (Mestre José).
Aos 09 de julho de 1.926, a Coluna Prestes (Os Revoltosos) passa por Jaicós,
pela manhã.A provisão do Padre Miguel foi extraviada dos correios pela
Revolução.
O padre Miguel sofre perseguição política e é afastado da Paróquia.
O PADRE JOÃO PEDRO
A partir de 18 / 03 / 1.928 passou a responder pela Paróquia de Nossa Senhora
das Mercês, o padre João Pedro de Sousa Velloso.
O PADRE LUÍS GONZAGA
Com provisão de 11 / 12 / 1.928, a 01 de janeiro de 1.929, tendo como
testemunhas Alberto Urias Novais, Fructuozo Jusselino da Silveira e Jayme
Borges Leal, assume a Paróquia de Nossa Senhora das Mercês o padre Luís
Gonzaga. De acordo com o padre da época, na Igreja Matriz havia um relógio de
parede ( 06 / 01 / 1.929 ).
O PADRE HELVÍDIO
A partir de 15 / 09 / 1.931 passa a responder pela matriz o padre doutor
Helvídio Martins Maia.
O MONSENHOR JOÃO HIPÓLITO
Em 22 / 02 / 1.932, toma posse o monsenhor João Hipólito de Sousa Ferreira.
O PADRE JOSÉ ZIMMERMANN
Com provisão de 13 / 10 / 1.933, toma posse em 22 / 10 1.933 o padre José
Zimmermann. Em relato do padre, livros de registros de batismo foram queimados
por estarem comidos pelo cupim.
Em 24 / 09 / 1.937 acontece o primeiro centenário da inauguração da matriz de
Jaicós com incalculável multidão. Na procissão de encerramento, o padre
Zimmermann estimou em dez mil o número de participantes. Fatos que aconteceram
durante a permanência do padre Zimmermann:
Compra de um sobrado para casa paroquial;
Inauguração de um relógio público e um sino grande na segunda torre recém –
construída;
Confecção de um cartão com a imagem de Nossa Senhora das Mercês, apresentando
no verso a foto do padre com os dizeres “lembrança do 1º centenário da matriz
de Jaicós – 1.837 – 1.937”.
Conta-se que confeccionaram uma moeda de metal com a esfinge da matriz.
O padre José Zimmermann saiu preso de Jaicós, por motivos políticos internacionais.Acusado
de ter transmissora secreta no tempo da segunda guerra mundial.
Entre os anos de 1.937 e 1.938 acontece na serra dos Dois Irmãos entre os
municípios de Casa Nova na Bahia e São Raimundo Nonato no Piauí, a Guerra do
Pau de Colher.
O PADRE JOSÉ FRANCO
Em 01 / 01 / 1.938, o padre José Franco é nomeado pároco da matriz de Nossa
Senhora das Mercês de Jaicós.
Em 01 de setembro de 1.939 a Alemanha invade a Polônia. Tem início a II guerra
mundial que terminaria em 07 de setembro de 1.945.
O PADRE JOAQUIM SABINO
Em 06 / 11 / 1.942, o padre Joaquim Sabino Dantas é o pároco de Jaicós. O padre
saiu de Jaicós através de denúncias.
Em 16 / 12 / 1.944 foi criada a Diocese de Nossa Senhora da Vitória de Oeiras,
com instalação em 07 / 10 / 1.945.
O PADRE EVALDO BETTE
Em 06 / 03 / 1.945, coadjuvado pelo padre Evaldo Bette, assume a Paróquia de
Jaicós o padre Francisco Filho.
Fatos marcantes:
Manoel Eduardo de Sousa, da Força Expedicionária Brasileira morre na guerra.
Sentença declaratória de nulidade do casamento do sargento José Veríssimo da
Costa, nascido em Jaicós, com Antônia Ferreira Peixoto, nascida em Picos.
O clima político, de acordo com o vigário Evaldo Bette, era denso e perigoso.
Pela primeira vez se fala em comícios na cidade. Propaganda exagerada.
Alberto Bessa Luz é eleito prefeito de Jaicós.
Em 04 de outubro de 1.945, foi inaugurada a capelinha do Bom Jesus no Morro dos
Três Irmãos. A via – sacra com 14 cruzes de madeira medindo 3m x 2m. De acordo
com o padre Evaldo Bette, o morro dos três irmãos é um ponto de romarias e
veneração de avultado número de fiéis em todo o tempo.
De acordo com senhor Camilo Lélis a primeira festa dos morros com missa se deu
com o padre Miguel em 1.918. “Eu me lembro como se fosse hoje, Eu era rapazinho
de 13 anos e fui de burro com o meu pai.” Já o senhor Francisco Crisanto afirma
que foi batizado na primeira festa dos morros em 1.919.
Por complicações políticas, o padre é afastado da paróquia.
O PADRE MADEIRA
Em 03 / 07 / 1.946 José Inácio Madeira Assume a Paróquia de Nossa Senhora das
Mercês de Jaicós.
O PADRE DAVID
01 / 12 / 1.946 sagra-se padre, David Ângelo Leal, aos 24 anos de idade.Aos 25
de dezembro, celebra a primeira missa na igreja matriz de Nossa Senhora das
Mercês.Através da provisão de 27 / 01 / 1.948, passa a ser vigário cooperador
da paróquia de Jaicós.Não é compreendido na terra, pouco podendo fazer.De
acordo com David: “A cidade de Jaicós tem um defeito: pagar com a moeda da
ingratidão, aos seus vigários. Qual o vigário que saiu de Jaicós em paz, sem o
travo da tristeza no coração? Nenhum!”
No dia 19 de janeiro de 1.947 acontecem às eleições para Governador, Senador e
Deputado Estadual.O município de Jaicós elege como representante na Câmara dos
Deputados para o quadriênio 1.947 – 1.951 o jovem Humberto Reis da Silveira,
que se reelegeria nos quadriênios: 1.959 – 1.963; 1.967 – 1.971; 1.971 – 1.975;
1.975 – 1.979; 1.979 – 1.983; 1.983 – 1.987; 1.987 – 1.991; 1.991 – 1.995 e
1.995 a 1.999.
O PADRE ÁGIO
Em 17 / 12 / 1.950 toma posse na Freguesia de Nossa Senhora das Mercês de
Jaicós, o padre Ágio Augusto Moreira, como vigário ecônomo.
No quadriênio 1.951 – 1.955, o município de Jaicós foi representado na
Assembléia Legislativa pelo Sr. Alberto Bessa Luz, que ainda seria reeleito nos
dois pleitos políticos seguintes (1.955 – 1.959 e 1.959 – 1.963) e viria a
assumir uma Secretaria com status de Ministério em Brasília, sendo cassado pelo
Regime Militar. Segundo o Professor José Rafael, Alberto Luz foi o único
jaicoense perseguido pelo Regime Militar.
O PADRE MARIANO
Em 03 de fevereiro de 1.952 toma posse na Paróquia de Nossa Senhora das Mercês,
o padre Mariano da Silva Neto, cuja comitiva contava com o padre David Ângelo
Leal, vigário cooperador das Paróquias de Pio IX e Picos, do deputado estadual
Alberto de Moura Monteiro, dos senhores Manuel Silva, irmão do empossado,
Eliseu Pereira dos Santos e José Licínio dos Santos conterrâneos de Jenipapeiro
(Francisco Santos). A comitiva foi recepcionada pelas autoridades da cidade,
entre eles: Júlio Antão de Alencar (Prefeito Municipal); José Ramos Dias (Vice
– Prefeito); José Marques da Fonseca (juiz); Humberto Silveira (acadêmico de
direito); Nicolau Jubilino de Sousa (Presidente da Câmara Municipal).
Aos 03 dias do mês de março de 1.953, realizaram-se nesta cidade exames de
admissão à primeira série ginasial. Inscreveram-se para o exame 28 alunos
(Ginásio Padre Marcos).A direção do estabelecimento foi confiada ao padre
Mariano da Silva Neto sendo secretariado por Maria Adelite de Carvalho
Aos 23 de outubro de 1.953 a imagem peregrina mundial de Nossa Senhora de
Fátima visitou a cidade de Jaicós, vinda de Picos, às 10 horas da manhã.”Multidão
numerosa qual talvez, Jaicós jamais contemplara”.
Em 1.953, esteve em Jaicós o Ministro da Pasta da Viação e Obras Públicas José
Américo de Almeida; que autorizou a construção da rodovia Jaicós – Picos.
Em 1.953 foi construída a sacristia (constante de três compartimentos).
Em 22 de julho de 1.954, pela Lei 1.046, foi criado o município de Simões, cuja
instalação se deu a 18 de dezembro de 1.954.
Construção do patronato Nossa Senhora das Mercês no ano de 1957.
Aos 02 de julho de 1.957, o padre Hosaná Siqueira assassina Francisco Expedito
Lopes (Dom Expedito Lopes), bispo de Garanhuns, antigo bispo da Diocese de
Oeiras.
No mês de março de 1.960, ocorreram chuvas torrenciais e inundações de
proporções inauditas.O lugar mais duramente atingido foi o povoado de Patos.De
suas 120 construções, só 02 ficaram incólumes. 97 foram completamente
destruídas.
No dia 20 de março de 1.960 o ginásio Padre Marcos celebrou a inauguração de
sua sede própria.
Em 02 de janeiro de 1.964, pela Lei 2.566, foi criado o município de Padre
Marcos, com instalação em 17/01/1964.
Em 31 de março de 1.964, instala-se no Brasil o Regime Militar, a chamada
Revolução de 64, que teria duração de 21 anos.
Em 1.964, a festa dos morros foi iluminada pela primeira vez a eletricidade.
De 1.964 a 1.970, nenhum registro foi feito dos acontecimentos na Paróquia, no
livro de Tombo. Período coincidente com a época mais dura do regime de exceção
que se instalara no País a partir de 31 de março de 1.964.
O PADRE ROCHA
Aos 11 de agosto de 1.971 foi nomeado vigário substituto de Jaicós, Francisco
da Silva Rocha.
A 21 de setembro de 1.975 foi instalada oficialmente a nova Diocese de Picos,
sendo o seu primeiro bispo, Dom Augusto Alves da Rocha.Constituída pelos
municípios: Picos, Itainópolis, Bocaina, São José do Piauí, Santo Antônio de
Lisboa, Jaicós, Simões, Padre Marcos, Fronteiras, São Julião, Paulistana, Pio
IX, Monsenhor Hipólito e Francisco Santos.
Em Janeiro de 1.977, o vigário da Paróquia, Francisco da Silva Rocha, ao
retornar de férias encontrou muita agitação na cidade em torno de campanha de
sementes, uma ação da Diocese em favor do povo atingido pelas secas.Houve
dissabores, o vigário “aceitou”” ausentar-se da Paróquia. Em agosto Ele retorna
e apresenta requerimento renunciando em definitivo ao cargo de vigário.
O PADRE GALCA
O padre Michael Gálca foi nomeado vigário cooperador de Jaicós, com provisão
datada de 03 de agosto de 1.977
O PADRE ANDRÉ
Aos cinco dias do mês de fevereiro de 1.978 toma posse no cargo de vigário da
Paróquia de Jaicós, o padre André Fillipe com a seguinte equipe: irmã Maria
Cattelan, Zenaida Oliveira Vieira, Teresinha Zolet e Ana Lori Junges.
Atendendo solicitação de Dom Augusto, se decidiu de não fazer mais o festejo do
morro dos três irmãos, mas de não avisar logo. Razões: festejo para comércio,
os sacramentos do batismo e casamento devem ser administrados na comunidade.
O PADRE CÂNDIDO
A primeiro de abril de 1.979, foi empossado no cargo de vigário ecônomo da
Paróquia de Jaicós, o padre Cândido Poli, missionário comboniano , coadjuvado pelo
padre Ermínio Pegorari.
O padre Cândido proibiu barracas e Comícios na praça da paróquia por ocasião
dos festejos.
Colocou à venda 50 hectares de terra pertencentes à paróquia, localizados no
morro dos três irmãos e o terreno e prédio vizinho à casa paroquial.
Restaurou a imagem de Nossa Senhora das Mercês (doada por Dona Ana) e do altar
– mor, em setembro de 1.979.
Em julho de 1.980, o Papa João Paulo II visita Teresina.
A 13 de novembro de 1.980, o Presidente da República, General João Baptista de
Oliveira Figueiredo veio à cidade de Jaicós, visita campo experimental da
EMBRAPA na fazenda Monte Alegre e autoriza a construção do açude tiririca.
Nos festejos de 1.982, devido a divergências quanto à colocação de barracas nas
ruas vizinhas à matriz, o padre e o bispo celebraram no patronato, enquanto
populares, não só anunciaram o festejo no sistema de som da igreja como fizeram
a celebração.
A festa foi acompanhada de comício.
Após o comício, fez-se procissão contra o padre e o bispo.
De acordo com o padre Cândido, às vésperas e no dia da festa, um cidadão de boa
idade e pai de família, abriu a igreja com chave falsa e se pôs na cadeira do
vigário, convidando a dar esmolas que seriam depositadas em banco, em nome da
paróquia.Enquanto ao seu lado um jovem contava o dinheiro que ia chegando.
O bispo Dom Augusto interditou a paróquia de Jaicós até o dia 31 de dezembro de
1.982.
Fez-se abaixo assinado para a retirada do padre.
Em 1.987 a igreja matriz completa 150 anos.
11/06/1989 celebração dos 40 anos de ordenação sacerdotal do pároco.
O PADRE JOSÉ WILSON
09 / 02 /1.991 entrega da Paróquia ao padre José Wilson Gonçalves da Silva.
10 / 02 / 1.991 missa de despedida do padre Cândido Poli.
Na sexta feira santa, a procissão do Senhor Morto aconteceu dentro da igreja,
devido à chuva.
O PADRE ANTÔNIO NETO
10 / 02 / 1.991 – Assume cumulativamente a Paróquia de Nossa Senhora dos
Humildes, de Paulistana e de Nossa Senhora das Mercês, o pároco Antônio Mendes
Neto.
07 / 03 / 1.992 – Doação de 10 ventiladores e um milhão de Cruzeiros pelo Dr.
Luís Leal. Razão: graça alcançada através de promessa a Nossa Senhora das
Mercês.
O PADRE JOSÉ WILSON
20 / 04 / 1.991 – José Wilson Gonçalves da Silva é nomeado para o cargo de
vigário da Paróquia de Nossa Senhora das Mercês.
Em 29 / 04 / 1.992, pela Lei 4.477, foi criado o município de Patos do Piauí,
cuja instalação se deu a 01/01/1993.
O PADRE AGOSTINHO SANGALLI
23 / 09 / 1.992 – é nomeado para o cargo de vigário de Jaicós o padre Agostinho
Sangalli.
O PADRE HERMETO MENGARDA
30 / 01 / 1993 Passa a residir em Jaicós, o padre Hermeto Mengarda. Neste ano
aconteceu a maior seca do século XX.
31 / 01 / 1993 – Fechamento da Casa das Irmãs.
Pela Lei nº. 660/93, de 23 de outubro de 1.993 foi estabelecido feriado o dia
24 de setembro. Dia este destinado aos festejos de Nossa Senhora das Mercês. A
mesma lei, de autoria do vereador Francisco Martins de Oliveira, estabelece
limites para a área comercial em torno da igreja matriz.
01 / 01 / 1.994 – Missa de despedida de padre Hermeto.
Em 26 de janeiro de 1.994, pela Lei 4.680, foi criado o município de Campo
Grande do Piauí, cuja instalação se deu a 01/01/1997.
O PADRE DAVID DE SOUSA
01 / 07 / 1.995 – David de Sousa Barros é nomeado vigário paroquial da Paróquia
de Nossa Senhora das Mercês.
O PADRE GREGÓRIO
09 / 07 / 1.995 Posse do padre Gregório Leal Lustosa na Paróquia de Nossa
senhora das Mercês.
12/07/1995 – Entrega da Paróquia de Nossa Senhora das Mercês pelo padre Pedro
Flores ao Padre Gregório.
Em 27 de dezembro de 1.995, pela Lei 4.810, foi criado o município de Massapê
do Piauí, com instalação em 01/01/1997.
O PADRE FRANCISCO (Padre Chiquinho)
25/04/1997 É nomeado pároco da Paróquia de Nossa Senhora das Mercês o padre
Francisco Pereira Borges.
18/05/1997 – Festa jubilar dos 50 anos de vida política do deputado estadual
Humberto Reis da Silveira. Sendo instalada no patronato de Nossa Senhora das
Mercês, a Assembléia Legislativa do Estado do Piauí.
21/06/1997 – Posse do padre Francisco Pereira Borges.
1.999 – Ano tido como o fim dos tempos. Pois, de acordo com os antigos, “ dois
mil não completará “.
10/2001 – Foi trazida de Juazeiro do Norte a imagem pequena de São Judas Tadeu
pelo padre Francisco Pereira Borges. São realizadas as primeiras celebrações
para construção da capela.
O terreno para construção da igreja de São Judas Tadeu e a imagem grande do
Santo foram doados pela senhora Jacira Neiva Luz e família.
Em 02/04/2005, às 16:37 hr, morre o Papa João Paulo II, o mais popular de todos
os Papas, aos 84 anos de idade, no palácio apostólico. Findava, assim, o
terceiro maior pontificado da história da igreja católica.
Jaicós, 10 de julho de 2005
José do Carmo Oliveira
BIBLIOGRAFIA
01 – Abimael Clementino Ferreira de Carvalho – Família Coelho Rodrigues Passado
e Presente.
02 – Padre Cláudio Melo – Fé e Civilização
03 – Livros Tombo da Paróquia de Nossa Senhora das Mercês – 1.855 a 2.005
04 – Revista Nº 5 TCE – Pi – Janeiro – 1.997
05 – www.alepi.pi.gov.br
06 – www.citybrazil.com.br
07 – www.jaicos.com
08 – www.paraiwa.org.br
09 – www.portfolium.com.br
10 – www.rapix.com.br
